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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SLOW FOOD: Salone Internazionale del Gusto e Terra Madre 2010

Comida +/= territórios, uma nova geografia do planeta
A oitava edição do Salone Internazionale del Gusto será realizada em Turim (Lingotto Fiere) do dia 21 a 25 de Outubro, em paralelo com o Terra Madre - encontro mundial das comunidades do alimento.
Os dois eventos bienais representam um momento único e interligado.
A exposição mercado internacional, aberta ao público, vitrine da produção enogastronômica artesanal e de qualidade, forte na sua conotação didática, de sensibilização e debates, será realizada em concomitância e ao lado do evento Terra Madre que reúne todos os atores da cadeia agroalimentar de 150 países, comprometidos em defender e promover modos de produção que respeitam o meio-ambiente, atentos aos recursos naturais do planeta, à conservação da biodiversidade e justiça social. Somente no Terra Madre estarão reunidas cerca de 7mil pessoas, entre pequenos produtores, agricultores, pescadores artesanais, cozinheiros, pesquisadores e ativistas do Slow Food.
O tema do Salone del Gusto esse ano se exprime em duas palavras: comida e território. Relacionadas por dois símbolos convencionais, o + e o =. O que isto significa? Significa que sem o território não existiria a comida, que é um modo de expressar o território, o clima, o savoir faire; através da comida cada território exprime suas características peculiares e reconhecidas.
A comida, como parte edível e concreta da nossa identidade, como elemento que dá forma ao território, como expressão cultural; e o território em si como lugar que pertence às pessoas que lá nasceram ou vivem e que por ele tem respeito, cuidado e reconhecimento.
Território este conjugado no plural, para exaltar as diferenças entre os lugares, culturas, conhecimentos e praticas agro-alimentares. As estratificações culturais nos garantem uma atualidade - gastronômica - fotografada hoje na sua continua existência, entre passado e futuro.
Os territórios então se transformam em lugares para troca de conhecimento, porque não existe identidade sem o confronto com outros. Assim se projeta um novo mapa do planeta, um mapa de comidas, cores e sabores.
O espaço expositivo do Salone del Gusto, e é esta a novidade deste ano, será organizado em função dos territórios: não existirão esse ano as vias temáticas e a área das Fortalezas, mas cada região e país do mundo irá apresentar suas produções, seus projetos e suas cozinhas separadamente.
Salone del Gusto e Terra Madre 2010, com a atenção pelo meio-ambiente, continuam o caminho já tomados nos anos anteriores em direção a reduzir seu impacto ambiental. As iniciativas desenvolvidas pelo Departamento de Desenho Industrial da Universidade Politécnica de Turim e pelo Slow Food, em colaboração com a Universidade dos Estudos de Ciências Gastronômicas, se baseiam em um projeto eficiente na preparação, nos transportes de mercadorias, na gestão do desperdício, da água e da energia.
O Salone Internazionale del Gusto 2010, é organizado pela Região Piemonte, cidade de Turim e Slow Food; os patrocinadores oficiais são Lurisia, Consorcio pela Tutela do Vinho Asti docg, Lavazza, Consorcio do Parmigiano-Reggiano, Intesa Sanpaolo e Pasta Garofalo.
Terra Madre é realizado pelo Ministério das Políticas Agrícolas Alimentares e Florestais, Cooperação Italiana pelo Desenvolvimento - Ministério das Relações Exteriores, Região Piemonte, Cidade de Turim e Slow Food em colaboração com a fundação CRT, Companhia de San Paulo, Associação das Fundações de Poupança do Piemonte e Coldiretti Piemonte.
Para saber mais: www.salonedelgusto.com / www.terramadre.org
FONTE: Slow Food Brasil
www.slowfoodbrasil.com

São Paulo - Copa 2014

CURIOSIDADE GASTRONOMICA

ORIGEM DO BACALHAU - para os povos de língua portuguesa; Stockfish para os anglo-saxônicos; Torsk para os dinamarqueses; Baccalà para os italianos; Bacalao para os espanhóis; Morue, Cabillaud para os franceses; Codfish para os ingleses.
(O nome bacalhau, de acordo com o Dicionário Universal da Língua Portuguesa, tem origem no latim baccalaureu )
Mundialmente apreciado, a história do bacalhau é milenar. Existem registros de existirem fábricas para processamento do Bacalhau na Islândia e na Noruega no Século IX. Os Vikings são considerados os pioneiros na descoberta do cod gadus morhua, espécie que era farta nos mares que navegavam. Como não tinham sal, apenas secavam o peixe ao ar livre, até que perdesse quase a quinta parte de seu peso e endurecesse como uma tábua de madeira, para ser consumido aos pedaços nas longas viagens que faziam pelos oceanos.
Mas deve-se aos bascos, povo que habitava as duas vertentes dos Pirineus Ocidentais, do lado da Espanha e da França, o comércio do bacalhau. Os bascos conheciam o sal e existem registros de que já no ano 1000, realizavam o comércio do bacalhau curado, salgado e seco. Foi na costa da Espanha, portanto, que o bacalhau começou a ser salgado e depois seco nas rochas, ao ar livre, para que o peixe fosse melhor conservado.
Fonte: ABAG - Associação Brasileira de Alta Gastronomia

Taxistas de Guarulhos aprendem a receber turistas para a Copa do Mundo e Olimpíada

Curso oferecido pela Prefeitura tem como objetivo atualizar e preparar os motoristas para recepcionar melhor os turistas que visitam a cidade

O Departamento de Turismo de Guarulhos (Grande São Paulo) oferece aos motoristas de táxi da cidade o curso “Excelência em receber bem o visitante”, nesta quarta-feira (4), a partir das 8h, na Escola Pública de Trânsito (EPT), no Parque Municipal Júlio Fracalanza. Com duração de quatro horas, o curso é gratuito e realizado em parceria com o Guarulhos Convention & Visitors Bureau.
A ideia é ensinar os motoristas a recepcionar os turistas de forma adequada e prepará-los para grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Os participantes receberão um certificado e também pontuação positiva no cadastro junto à Secretaria de Transportes e Trânsito, que apoia a iniciativa.
Informações sobre as aulas e as próximas turmas podem ser obtidas através dos telefones (11) 2475-6960 ou (11) 2475-6992.
Serviço: Curso “Excelência em receber bem o visitante”
Escola Pública de Trânsito (Rua Joaquim Miranda, 471 – Vila Augusta – Guarulhos)
FONTE: http://www.diariodoturismo.com.br/index.asp?noticia=17975

Festival do Turismo de Gramado aposta no enoturismo nacional

O Festival do Turismo de Gramado aposta no crescimento e na organização do enoturismo nacional. Com apoio do Sebrae, existe a busca pela criação de um espaço específico para o setor dentro da feira de negócios.
Segundo a representante comercial do evento, Daniela Seibt, o brasileiro está interessado em conhecer melhor o vinho como produto. “O turista aprendeu a apreciar essa bebida de uma maneira mais cultural. Um dos objetivos dos viajantes interessados no enoturismo é conhecer as regiões produtoras e degustar os produtos diretamente na vinícola”, comenta.
O Festival do Turismo tem sido inovador no lançamento de novos destinos e na identificação de nichos do mercado. O enoturismo, na Europa e Estados Unidos, é um nicho organizado. As operadoras vendem pacotes à pessoas que se deslocam para regiões de vinhedos. No Brasil, a região de Bento Gonçalves tem como apelo os vinhos e soube muito bem usar isso.
Para Marta Rossi, diretora do Festival, a proposta principal é organizar o setor, “Queremos mostrar que o enoturismo pode ter um apelo comercial muito forte para o deslocamento das pessoas. No Brasil, existem regiões produtoras de vinho que podem ser desenvolvidas nos moldes de Bento Gonçalves e mesmo do Uruguai, onde qualquer passeio passa pelas vinícolas” destaca.
Outro exemplo é a Bahia, expositora da Festival. O estado nordestino desponta como um mercado promissor, tanto para consumo quanto para produção e investe alto em qualificação de produção e maquinário. Apesar disso, o Rio Grande do Sul continua sendo responsável por 90% da produção dos vinhos nacionais. O estado tem mais de 700 vinícolas. Em 2009, cerca de 430 milhões de litros de vinhos, sucos e outros derivados da uva foram produzidos na região do Vale dos Vinhedos.
Sobre o Festival de Gramado
O 22º Festival do Turismo de Gramado se realiza de 18 a 21 de novembro, no Serra Park. Considerada a feira de negócios de resultados mais efetivos para o trade brasileiro e sul-americano, o Festival é voltado exclusivamente a profissionais do trade turístico. Em sua última edição, recebeu cerca de 13 mil pessoas. A cada ano, a feira recebe mais e mais profissionais com poder de decisão e agentes de viagem da América do Sul.
FONTE: http://www.diariodoturismo.com.br/index.asp?noticia=17977

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Revolução dos Baldinhos

Em Florianópolis, um grupo de revolucionários mostra que existem alternativas viáveis, e transformam o lixo em ouro: composto orgânico, educação e cidadania.
Muito se fala sobre o lixo reciclável e seu impacto no meio-ambiente e na economia. Aconteceram campanhas intensas sobre reciclagem, realizadas tanto pelo poder público como pela sociedade civil. Associações de catadores vivem dos recursos provenientes da coleta e venda dos resíduos, e tem arte e artesanatos lindos feito com o material. Agora não é mais tão esquisito recusar a sacolinha plástica no comércio, muita gente separa o lixo, e se não estou enganada o Brasil é campeão em reciclagem. Ainda falta muito para resolver o problema, mas um caminho longo já foi trilhado.
Mas e o lixo orgânico? O que se faz com ele? Qual o seu destino? Nas cidades de modo geral, o lixo orgânico - juntamente com o material reciclável que não foi separado - é (ou deveria ser) recolhido por empresas contratadas pelas prefeituras, precisa ser tratado e devidamente descartado em aterros sanitários.
O descarte inadequado do lixo orgânico tem sérias conseqüências para os seres humanos e para o meio ambiente. O acúmulo do lixo orgânico e sua decomposição causam mau cheiro; proliferação de insetos, bactérias, fungos; aparecimento de ratos e baratas; produção de chorume que por sua vez pode contaminar o solo, a água e os lençóis freáticos.
Além disso, para a implantação de aterros sanitários é preciso utilizar áreas cada vez maiores, usualmente distantes dos centros urbanos. O impacto social, ambiental e econômico do uso desta área é enorme, pois tanto a paisagem quanto o uso da terra são comprometidos.
Em Florianópolis, um grupo de Revolucionários mostra que existem alternativas viáveis, e transformam o lixo em ouro: composto orgânico, educação e cidadania.
O projeto Agricultura Urbana e Revolução dos Baldinhos tem pouco mais de um ano e é coordenado pelo CEPAGRO. Teve apoio da ELETROSUL para a primeira etapa e recebeu o Prêmio de Meio Ambiente do CESE, que viabilizou o projeto até agora. O projeto conta ainda com o apoio de várias Creches e Escolas, além da Casa Chico Mendes e da ACAMOC (Associação Comunitária de Meio Ambiente) e ocorre nas comunidades Chico Mendes e Novo Horizonte.
Os Revolucionários são Rose Helena Rodrigues e Ana Carolina Conceição - funcionárias/bolsistas do projeto - e Maicon e John Pitter - assistentes e também bolsistas. Com exceção de John Pitter, os três estiveram em Brasília no II Terra Madre Brasil. Os quatro contam também com o apoio de estagiários do CEPAGRO.
De modo bem sucinto o projeto funciona assim: as famílias participantes receberam um pequeno recipiente (o baldinho) para separar o lixo orgânico. Algumas famílias receberam uma bombona e se tornaram PEVs (Pontos de Entrega Voluntária). As famílias que tem baldinhos levam o lixo para os PEVs, e duas vezes por semana os revolucionários passam com um carrinho puxado a mão para coletar as bombonas. Todo o material orgânico é então coletado pelo grupo e levado para a Escola Américo Dutra Machado, que cedeu parte do pátio como apoio ao projeto. Lá os resíduos são transformados em composto orgânico e em cerca de 3 meses está pronto para ser usado. As famílias retiram o composto e usam para plantar suas próprias ervas e verduras em casa, em espaços pequenos. Nas escolas e nas creches também tem horta usando o composto.
Hoje são cerca de 90 famílias participantes, e 30 PEVs. O grupo retira cerca de 6 toneladas de resíduo orgânico por mês das ruas. No primeiro ano do projeto o grupo reciclou 29,5 toneladas de resíduos orgânicos. Este material seria descartado de forma inadequada, trazendo sérias conseqüências para a saúde da comunidade, ou iria para aterros sanitários.
Tive a grande oportunidade e o prazer de acompanhar parte da jornada dos revolucionários. As 9h30 os encontrei na Casa Chico Mendes, tomando um café no intervalo entre a primeira e segunda coleta. Já haviam passado pela comunidade Chico Mendes e faltava a Novo Horizonte. Lá foram Lene, Carol e John Pitter na frente, e eu atrás tentando documentar o trabalho deles. Dj Maicon, Marcos (CEPAGRO) e Alexandre (estagiário CEPAGRO), ficaram na Escola já cuidando do primeiro lote.
Não é só na coleta e processamento dos resíduos que o projeto se concretiza. Durante a ronda Lene entrega ervas e conversa com a diretora da escola; Carol discute em uma das creches o desenvolvimento da horta; me levam para conhecer Maria, que tem uma incrível plantação entre a estrada e a rodovia; conversam com todos sobre a importância de separar o lixo; e os três se divertem sempre que podem, me presenteando com muitos sorrisos. Ao longo do caminho muita gente pede baldinhos, também querem participar do projeto. Mas o grupo não tem estrutura para ampliar o atendimento, precisam de apoio para isso.
De volta à escola, onde está a compostagem, o trabalho continua. Todo o resíduo é verificado (para descartar material reciclável que às vezes aparece), o material vai para a compostagem e as bombonas são lavadas, para serem devolvidas limpas aos PEVs. No final da aula, os alunos da escola dão uma passadinha para ver e aprender com o projeto. Lene e Carol aproveitam para conversar com os filhos pequenos.
As imagens deste dia foram colocadas em seqüência e mostram todas as etapas do processo. Em um dia normal o trabalho estaria quase terminado. John Pitter iria para a aula no período da tarde e os outros seguiriam com seus afazeres. Mas este dia era especial: John Pitter não tinha aula a tarde, e todos tinham uma reunião na Prefeitura de Florianópolis para tratar do apoio ao projeto.
Acabou o trabalho da manhã e em 30 minutos estavam todos arrumados para a reunião. No carro a trilha sonora foi o rap Bonde dos Baldinhos, composto por Maicon e Alan. Antes da reunião fomos almoçar todos juntos, no restaurante Vila Açor, do Chef Ubiratam Farias, que também faz parte da Rede Terra Madre. O restaurante fica no centro histórico de São José e tem uma linda horta mandala nos fundos, onde são cultivadas as ervas para o uso na cozinha.
A Revolução dos Baldinhos esteve presente do II Terra Madre Brasil, e nos ensinou muito sobre cidadania e compostagem. Durante os 4 dias de evento ofereceram uma oficina teórico-prática e produziram 1 tonelada de composto. Nos fizeram pensar muito sobre a quantidade de lixo que produzimos e o destino que damos para isso tudo. Neide Rigo filmou a participação deles e o rap Bonde dos Baldinhos. Vai lá no Come-se que é ótimo.

Roberta Sá é Cientista de Alimentos, Presidente da Comissão Brasileira da Arca do Gosto , Líder do Convivium Slow Food Cerrado e mantém o site Alimento para Pensar .




 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mar revolto

Depois de dominar a cena brasileira, salmão corre risco de chegar drasticamente ao fim; fazendas aquáticas tornaram-se viveiros de parasitas que contaminam os peixes
JOSIMAR MELO
CRÍTICO DA FOLHA

Lá se vão uns 30 anos da primeira vez em que fui a Paris. Cheguei numa véspera de Natal, direto para uma festa onde causou-me impacto a presença, e a fartura, de uma iguaria raríssima no Brasil: o salmão. Pois por aqui, mal havia salmão defumado, escocês e caro, e não dos melhores, em geral muito salgado. Salmão fresco, nem pensar.
Os tempos mudaram, e os brasileiros passaram a ter acesso ao delicioso peixe. Delicioso e único: seu sabor, sua textura que pode chegar ao cremoso, sua cor hipnotizante, são especiais e distintos, mesmo cru, semicru (à “nouvelle cuisine”).
Ele entrou na cena brasileira e a dominou (em boa parte pela disseminação do sushi, mas também pelo fato de que, mesmo congelado, ele costuma ser mais fresco do que a maioria dos peixes vendidos “frescos”, muito tempo depois da pesca). Até que finalmente… seu reinado corre o risco de chegar drasticamente ao fim.
A popularização de um peixe tão bom e tão nobre só se tornou possível porque ele passou a ser criado em fazendas aquáticas -inclusive aqui perto, no Chile. A produção ficou mais barata, o “frescor”, mais garantido, mesmo comprado em supermercados, e a facilidade de fornecimento, higiene, estocagem, muito maior para os restaurantes. O sabor não é o mesmo do salmão selvagem, claro; mas é menos aristocrático, mais acessível e, ainda assim, saboroso.
Até que começou o tsunami. As criações de salmão começaram a implodir: tornaram-se viveiros de parasitas que contaminam os peixes. No caso do salmão do Atlântico, produzido no Chile, o piolho Caligus atacou com tal ferocidade que três anos atrás os produtores tiveram de migrar para outra região, mais ao sul, deixando para trás um rastro de abandono e pobreza (mas não se livraram da praga). No Canadá, quem vitima o salmão do Pacífico é o Lepeophtheirus -são ambos piolhos do mar que hoje atacam também nos fiordes da Noruega e estão cada vez mais resistentes aos venenos.
Pior: além do seu próprio extermínio, as fazendas de salmão ameaçam também os salmões selvagens. Se a coisa continuar assim, o peixe pode entrar em extinção -como, por outros caminhos (a pesca predatória), ficaram ameaçados o codfish (do qual se produz o bacalhau), o esturjão (fonte do caviar) e o atum bluefin (cuja barriga, quando gorda, é o toro dos sushis e sashimis).
No caso do salmão, o caminho é diferente, até paradoxal. A ameaça não é a pesca predatória, mas justamente o fato de ser cultivado. Como as fazendas aquáticas se localizam em locais que são o habitat natural da espécie, ao se tornarem usinas de parasitas, espalham a doença também sobre o salmão selvagem que circula por ali.
Normalmente, os filhotes de salmão, que ao nascerem nos rios rumam para o mar, não têm contato com os peixes adultos, que podem ter o parasita, mas resistem melhor a ele. Nas fazendas, porém, ficam todos juntos, e os filhotes são atacados e mortos. E o mesmo acontece com os filhotes selvagens, que nascem na região: é a ameaça da espécie.
Não bastasse isso, para tentar conter as doenças, os salmões de cativeiro terminam submetidos a tamanhas doses de remédios e químicas que muitos questionam se seriam saudáveis para consumo.
Entidades preocupadas com o tema sugerem mudanças na criação -por exemplo, que ela se dê em áreas estanques: um sistema isolado protegeria os peixes de doenças do mar e evitaria que eventuais doenças das fazendas migrassem para os peixes selvagens. Também pregam mudanças na alimentação, com menos ração animal. Mas, por enquanto, é só especulação. O fato é que, assim como se imagina formas de criar gado, galinhas e porcos em condições mais naturais, uma solução deveria ser achada também para o salmão. Ou ele, como talvez ocorra com outras iguarias, poderá tornar-se apenas uma lembrança do passado.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO - Ilustrada
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1803201020.htm